Lorenzo González era sensação na base do Manchester City, mas jamais conseguiu se firmar na carreira profissional
Em algum lugar na Suíça, um jovem de 21 anos certamente estará acompanhando a turma de Josep Guardiola em ação: Lorenzo José González Montesdeoca.
Você pode nunca ter ouvido falar dele, mas Guardiola certamente o conhece...
Afinal, o atacante suíço foi uma das grandes sensações da base do City entre 2016 e 2019, após ter sido descoberto pelos ingleses na base do Servette, aos 16 anos, e trazido para o Reino Unido com direito a um contrato de três temporadas, após os Citizens vencerem ninguém menos que Juventus e Real Madrid para ter o atleta.
Curiosamente, o responsável por conduzir a transação de Lorenzo do Servette para o Etihad Stadium foi um brasileiro: o empresário Marcelo Robalinho.
Em entrevista ao ESPN.com.br, o agente, que participou de algumas das mais emblemáticas negociações do futebol nacional nos últimos anos, contou os bastidores de como o City venceu a corrida contra o Real Madrid para fechar com o promissor centroavante.
"Nessa época, a Europa inteira desejava o Lorenzo González, mas o Manchester City foi muito assertivo e acabou vencendo a negociação", recordou Robalinho.
"No começo, nós chegamos praticamente a fechar tudo com a Juventus. Fomos para a Itália com toda a família ver as coisas, como contrato, casa, etc. De repente, tocou o telefone e era o Manchester City. Eles dobraram o valor da proposta! Quando você tem um jogador desse nível, é tudo dinâmico", ressaltou o empresário.
'Mais badalado que Foden e Sancho'
Logo que chegou ao City (temporada 2016/17), Lorenzo passou a arrebentar. Integrado ao time sub-18, ele anotou 14 gols e 5 assistências nos 26 jogos de sua 1ª temporada na base.
Seus números ofuscaram até mesmo as duas maiores estrelas das canteras da equipe de Manchester naquele momento: os meias Phil Foden (hoje no profissional dos Citizens) e Jadon Sancho (atualmente no Manchester United).
Rapidamente, a imprensa inglesa se empolgou com González e apontou: ali estava o sucessor de Sergio Agüero no comando de ataque do City.
"O ataque da base do City nessa época era Lorenzo, Foden e Sancho. Só que ele era a grande estrela, mais badalado que os dois! No clube, o pessoal o via como sucessor do Agüero, porque, além de goleador, ele tinha um porte físico semelhante e um estilo de jogo que lembrava muito", revelou Marcelo Robalinho.
Na temporada seguinte, Lorenzo foi promovido ao elenco sub-23, mas o passo acabou sendo maior do que a perna.
Em 2017/18 e 2018/19, a fonte do artilheiro acabou secando, e ele jamais conseguiu dar o salto que prometia ao profissional para ser o "novo Agüero".
No fim das contas, o suíço sequer chegou a ser promovido ao time adulto do City. Em 2019, após seu contrato em Manchester expirar, ele acertou de graça com o Málaga, da Espanha.
Na Andaluzia, novo fracasso: apenas seis jogos disputados e rápido adeus. Depois de só três meses, González deixou a equipe ibérica e assinou com o St. Gallen, da Suíça, para tentar emplacar de vez.
Mas foi mais um tiro na água... Lorenzo só entrou em campo uma vez pelo St. Gallen. Na atual temporada, foi emprestado ao minúsculo Ústí nad Labem, da República Tcheca, mas também só conseguiu jogar duas partidas e fazer um mísero golzinho pelo clube. Com isso, foi devolvido ao futebol suíço e atualmente está encostado.
Os motivos do fracasso
De acordo com Marcelo Robalinho, são vários os motivos de um jogador tão promissor quanto Lorenzo González naufragar na transição da base para o profissional.
"Ele era muito promissor. Tinha explosão muscular, finalização muito boa, tranquilidade para fazer gols. Mas futebol profissional não é só talento. Você precisa estar bem apoiado e saber os momentos certos de tudo. É difícil conviver com a ansiedade e a expectativa geradas num grande clube. Não é fácil chegar ao topo", apontou o agente.
"Eu via esses meninos jogaram no City, no sub-20, sub-19, sub-18. A qualidade era muito alta. Mas, no futebol, tem que saber conviver com as épocas de alta e baixa. Quando alguns vão para a baixa, não conseguem se recuperar, porque aí vem a pressão", salientou.
"Fora que o City é uma máquina de contratar jogadores. Vai chegando craque atrás de craque e a base dificilmente se firma, tanto é que o Sancho saiu para o Borussia Dortmund. E outra coisa que pode ter atrapalhado é que o treinador, quando o Lorenzo chegou, era o Manuel Pellegrini, depois chegou o Guardiola, que tem estilo totalmente diferente", argumentou.
Ainda segundo Robalinho, Lorenzo também se complicou pelas escolhas feitas nos bastidores.
"Ele foi para o City por dois anos e meio na minha empresa. Mas o jogador jovem precisa ter paciência, coisa que muitas vezes o atleta e a família não têm. Às vezes, quando o jogador não vai bem, o primeiro culpado é o empresário. Aí o pai dele, que é espanhol, falou que queria mudar de agente, porque o Lorenzo precisava jogar no primeiro time do City. Como se fosse eu que fosse aos treinos...", afirmou.
"Depois, ele mudou para um agente inglês, mas não teve a sequência no City. Saiu para o Málaga e ainda foi para o St. Gallen. Depois que tudo isso aconteceu, acho que já trocou de agente umas quatro vezes...", finalizou Robalinho.
Fonte: Espn

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