Embora esteja com o Corinthians na Série B, goleiro aparece com destaque na lista dos melhores goleiros. Na média, só perde de Victor, do Grêmio
Um dos poucos que saíram ilesos da vexatória campanha do Corinthians em 2007, o goleiro Felipe teve um ano agitado até aqui. De um começo turbulento por causa da polêmica renovação de contrato, ele virou herói da classificação à final da Copa do Brasil e em seguida o vilão do vice-campeonato. Mas nada disso evitou que ele chegasse à reta final da temporada como o segundo melhor goleiro do Brasil.
Pelo menos é isso o que dizem os números do camisa 1. Vazado apenas 38 vezes em 47 jogos, Felipe ostenta a média de 0,80 gol sofrido por partida. Comparado ao desempenho dos atuais titulares das equipes das Séries A e B, o corintiano perde apenas para Victor, do Grêmio, líder isolado do Brasileirão. O goleiro do time gaúcho sofreu 21 gols em 33 partidas, média de 0,63.
- Particularmente, eu acho que estou no meu melhor momento, no meu auge. Estou sofrendo poucos gols, a defesa está segura... Eu não me lembro, desde o gol que levamos do Bahia, de alguém falar que eu falhei ou a defesa. É muito legal saber desses números, porque a nossa defesa não podia tomar gol que era criticada. Mas no Corinthians é assim, tudo vira manchete - declarou Felipe, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM.
Essa partida contra o Bahia citada pelo goleiro aconteceu no Pacaembu e marcou a primeira derrota do Timão na Série B. E justamente por causa de uma falha de Felipe. De lá pra cá, porém, o clube fez cinco partidas como mandante e não foi mais vazado. Mérito de uma defesa que sofreu com altos e baixos no meio da competição, mas soube se acertar novamente e superar os problemas.
- O setor defensivo do Corinthians está muito bom. Os jogadores que chegaram no começo do ano compuseram bem o time. Não importa mais quem entre quando tem algum problema, porque a qualidade continua a mesma. Desde o início do ano, o Mano mostrou que queria uma defesa segura, porque como ele mesmo diz é mais fácil destruir do que construir - acrescentou.
Fato curioso é que entre os cinco menos vazados da primeira e segunda divisões do futebol brasileiro aparece outro goleiro que atua na Série B: Eduardo Martini, do Avaí. Ele fez 42 jogos e sofreu 40 gols, média de 0,95. Confira o quadro abaixo.
| OS CINCO MENOS VAZADOS DO BRASIL (NA MÉDIA) | ||||
| GOLEIRO | CLUBE | JOGOS | GOLS SOFRIDOS | MÉDIA |
| Victor | Grêmio | 33 | 21 | 0,63 |
| Felipe | Corinthians | 47 | 38 | 0,80 |
| Magrão | Sport | 56 | 53 | 0,94 |
| Eduardo Martini | Avaí | 42 | 40 | 0,95 |
| Castillo | Botafogo | 38 | 38 | 1,00 |
Édson Bastos, a muralha
Se não estivesse fora há sete rodadas por conta de uma lesão no joelho direito, o goleiro do Coritiba muito provavelmente seria uma das ameaças ao goleiro Felipe na briga dos menos vazados. Antes de se machucar, Bastos tinha feito 43 jogos na temporada e sofrido apenas 31 gols, média de 0,72.
Em seu lugar está Vanderlei, que tem feito ótimas partidas e deixado o técnico Dorival Júnior sem preocupações. O novo titular do gol coxa branca sofreu dez gols em dez partidas até aqui. Édson Bastos não entra em campo desde 3 de agosto, na vitória por 3 a 1 sobre o Santos.
Felipe lembra dia de herói e fase de vilão
No dia 29 de maio, no estádio do Morumbi, mais de 60 mil corintianos ovacionaram o goleiro, que defendera um pênalti na semifinal da Copa do Brasil, contra o Botafogo, e colocara o Timão na decisão da competição. Até agora aquela defesa está na memória do camisa 1 como a defesa mais bonita dele na temporada.
- Eu considero todas as defesas difíceis para um goleiro, mas uma que me marcou bastante este ano foi a do pênalti contra o Botafogo - lembrou.
Duas semanas depois, porém, Felipe foi taxado como vilão. Após a derrota por 2 a 0 para o Sport que impediu o Corinthians de gritar é campeão, o técnico Mano Menezes resolveu afastar o goleiro do time titular. O motivo alegado foi de que estava faltando comprometimento ao atleta. Três jogos depois ele voltaria.
- Como eu sempre digo, futebol é momento. Aquele episódio já ficou no passado. As coisas ruins as pessoas demoram mais mesmo para esquecer, mas uma hora ninguém lembra mais - opinou o camisa 1 alvinegro.
O que norteia a seqüência do goleiro no Corinthians é o seu principal objetivo para a temporada que vem: um título de expressão. Em contagem regressiva para o acesso à Série A, Felipe avisa que o vice da Copa do Brasil ainda não foi digerido.
- Meu principal objetivo para 2009 é conquistar um título importante pelo Corinthians. Eu sei que a Série B também tem seu valor, mas ainda não desceu aquela derrota na final da Copa do Brasil. Foi muito doloroso, porque chegamos perto demais - afirmou o goleiro do Timão.
O contrato de Felipe com o Corinthians vai até 2011.
Fonte: GloboEsporte

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