Toro Loko impõe estilo desde o princípio, supera o Osasco na grande São Paulo e volta para casa com a sonhada vaga na primeira divisão. Adversário segue na zona
Hoje, não! Hoje, não. Hoje, não? Hoje, sim. Hoje, sim! Chega de esperar. De arrancar em grande velocidade e perder terreno no final. De depender de outros resultados para realizar o sonho. De morrer na praia. O domingo estava reservado para apenas um propósito. Não importa o local, o adversário, a temperatura, o gramado, o árbitro – era dia de voos maiores, com ou sem ajuda de energético. Depois de imaginar por anos a cena, o RB Brasil, enfim, assegurou a estreia na elite do Campeonato Paulista.
A passagem de divisão veio com sabor especial, ao vencer o Osasco por 3 a 1, no Estádio José Liberatti, na grande São Paulo. O Toro junta-se agora ao Capivariano no grupo de acesso e despede-se da Série A2 no próximo fim de semana, quando tem a oportunidade de abrilhantar ainda mais a campanha com o título – tem que vencer o Barueri sábado, às 10h, em Campinas, e torcer por tropeço do líder, que pega a ameaçada Itapirense.
A importante conquista desta tarde tem a marca de vários nomes. Primeiro, claro, Raul, atacante que não teve medo de abrir a contagem e tirar o peso dos ombros dos colegas. Geninho, meia do Grêmio Osasco, quis colocar água no chopp do adversário, com belo chute de longe que passou como um tiro ao lado de Juninho. Anderson Marques, porém, não deixou o lance atrapalhar uma tarde feita para o RB Brasil e usou a cabeça para restabelecer a ordem da partida. No fim, Allan Dias sacramentou o acesso.
Outros que nem brilharam nesta tarde também foram importantes. De Maurício Barbieri, jovem técnico que conseguiu um feito que veteranos do mundo da bola fracassaram ao tentar, a Fabiano Eller, experiente zagueiro que passou toda a experiência de campeão mundial a um elenco bem rodado, mas ávido por conquistas históricas.Como a deste domingo.
O acesso ao Paulistão de 2015 é, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes. Em ascensão meteórica no futebol estadual, o RB Brasil bateu na trave nos dois anos passados. Desta vez, mostrou que aprendeu com os erros. Montou uma base experiente, capaz de não se empolgar com 11 rodadas de invencibilidade ou se deixar abater com a série negativa de cinco partidas sem vencer. E de resolver a parada quando necessário.
A empolgação campineira contrasta com o desespero osasquense. O GEO perdeu o embalo das últimas duas vitórias e chega à rodada final sem depender dos próprios resultados para garantir presença na Série A2. Pior: com prognósticos muito negativos. A equipe fecha o fim de semana na vice-lanterna, acima apenas do já rebaixado São José. Com 17 pontos, encara o Monte Azul fora de casa no sábado, às 10h. Além de vencer, precisa torcer por tropeços de três dos quatro adversários diretos: São Caetano (faz o clássico com o Santo André), Rio Branco (encara o Guarani, eliminado), Barueri (coadjuvante da festa do RB Brasil) e Itapirense (visita o líder Capivariano).
O jogo
Bruno Paulo parte em direção à área com sede ao pote. Encara o zagueiro, balança e passa com dois dribles de corpo. Sem muito ângulo, arrisca o chute cruzado, não não acerta o gol e nem possibilita a um colega completar para a rede. A jogada logo aos 38 segundos resume a postura do RB Brasil na partida mais importante da temporada.
O Toro buscou o controle do jogo desde o princípio. Usou as laterais, avançou com volantes, comandou as ações no meio-campo, usou a velocidade. Não à toa, saiu na frente em chute cruzado de Raul, do bico direito da grande área, sem chance para Jefferson. Fez pouco no restante do primeiro tempo, mas o placar, e a ausência de ataques do adversário, era suficiente para uma partida tranquila.
O comportamento dos donos da casa só se modificou no segundo tempo. Aguerrido, o Grêmio Osasco decidiu sair da defesa para buscar algum lance de inspiração na frente. De fato, o alcançou: Geninho arriscou um belo chute com efeito da entrada da área, sem chances para Juninho defender. Com Vampeta nas arquibancadas, o GEO ensaiou a reação.
Pena que ela durou segundos. No ataque seguinte, o Toro Loko mostrou que a sorte estava do lado azul. Após cruzamento de Éder e desvios no meio do caminho, Anderson Marques desviou quase em cima da linha. O balde de água fria ficou maior no fim. Allan Dias, contratado para superar o trauma de 2013, acertou o canto direito do Osasco e deu números finais ao jogo, num fim digno para tanta expectativa. O camisa 8 prometeu colocar o RB Brasil no Paulistão. Com a tranquilidade que faltou em outros anos, cumpriu.
fonte: globo.com

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