Jogador teve início atrapalhado por Covid-19 e lesão muscular antes de se firmar na equipe de Rogério Ceni
Acho que o início foi duvidoso, né? Mas com trabalho e dedicação tenho conseguido reverter isso. Eu entendi mais o que é vestir a camisa do São Paulo e entrar em campo.
Foi assim que Patrick definiu sua relação com a torcida do São Paulo, em entrevista exclusiva à TNT Sports. O meia, que passou a defender o Tricolor no início da temporada de 2022, precisou atravessar uma maré duvidosa para se consolidar na equipe e se tornar importante para o esquema de Rogério Ceni.
"Vestir a camisa do maior clube do Brasil é uma tarefa muito difícil. O São Paulo tem uma história gigantesca no futebol brasileiro, sul-americano e mundial. É um desafio muito grande. E digo que, pra quem gosta da profissão, ama o que faz e gosta de desafios, não tem situação melhor para viver. Isso te faz evoluir profissionalmente e como pessoa".
Mas, antes de chegar até o nível profissional que ocupa hoje, vestindo a camisa de um dos maiores clubes do país, Patrick precisou sonhar, se dedicar e abrir mão de muitas coisas.
"Sou nascido e criado em Olaria, zona norte do Rio de Janeiro, e onde eu morava tinha um campo de futebol em frente. Era o nosso playground e eu gostava muito de jogar futebol. Minha mãe até brinca que eu só queria chutar bola quando era criança. Dali começo a trilhar esse caminho até chegar no São Paulo", disse Patrick, que complementou.
"É muito difícil. Eu já tive momentos de pensar em desistir. Mas tem que continuar batalhando e acreditando. Tive muitos amigos de muito talento que ficaram no meio do caminho e até brinco que esses meninos que estão na base dessas equipes grandes são privilegiados, porque estão num berço e numa condição mais perto de chegar do que quem começa lá atrás, num time pequeno e com estrutura menor. Eu falo para eles que eles estão no paraíso, num lugar maravilhoso e precisam aproveitar e se dedicar ao máximo. Eu vim de baixo, graças a Deus continuei tentando e batalhando, fui passando por equipes numa crescente e hoje visto essa camisa que é reconhecida mundialmente e respeitada no Brasil todo. É uma felicidade grande".
Vivemos numa roda gigante. Uma hora você está em cima, outra embaixo. Se não tiver a cabeça forte para saber lidar com essas situações, você acaba se desestabilizando e ficando para trás. É o ditado que a gente usa: Chegar é fácil, difícil é se manter. Se manter em alto nível é bastante difícil, pra quem não vê, acha que é tudo mil maravilhas, mas exige bastante do mental e do físico. Você abre mão de muita coisa pra se manter em alto nível e não é fácil, é difícil.
Predestinado a vestir a camisa do São Paulo
Para quem não sabe, Patrick passou a ter o mínimo relação com o Tricolor paulista em 2015. Na ocasião, Rogério Ceni, ainda como jogador e já em reta final de carreira como goleiro, pediu, em conversa com Patrick e Bruno Henrique, hoje no Flamengo, para que ambos se transferissem ao Tricolor. Apesar do tom descontraído, quis o destino que Patrick e São Paulo se encontrassem de verdade alguns anos depois, com o mesmo Rogério Ceni, mas hoje como o comandante técnico da equipe.
Para Patrick, uma das boas sensações de vestir a camisa do São Paulo se chama Estádio do Morumbi. Durante a entrevista com o meio-campista, ele exaltou a força do torcedor Tricolor, que vem lotando sua casa nessa temporada em quase todas as partidas, sejam elas decisivas ou não.
"É contagiante a força e energia da torcida e a atmosfera de jogar e vestir a camisa do São Paulo. É importante a torcida jogar junto com o clube e atletas durante as partidas porque isso contagia e mexe com o psicológico de alguns adversários. Isso é importante para fazer pressão dentro de casa, apertar o adversário e até passar por momentos de dificuldades. Tudo isso joga junto. Quando o estádio está lotado e a torcida está torcendo a nosso favor, fica um espetáculo maravilhoso. Espero que essa parceria entre torcida e jogadores perdure durante toda a temporada e que a gente possa comemorar com alguma coisa boa lá no final", contou.
E para conquistar coisas boas, Patrick entende que o São Paulo está no caminho certo, especialmente envolvendo a renovação de contrato do técnico Rogério Ceni nas últimas semanas, na véspera de um jogo eliminatório, contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil.
"A gente vê muitos clubes indo pelo caminho contrário, de fazer contrato com treinador de três meses, passar três jogos e mandar embora. O São Paulo está indo numa linha diferente, isso dá tranquilidade e motivação para o treinador trabalhar. Essa renovação de contrato dá um gás a mais e a gente sabe que temos um treinador para trabalhar e uma filosofia de trabalho para seguir. É praticar no dia a dia e tentar executar dentro de campo, isso te dá tranquilidade pra trabalhar, porque você sabe que não vamos possivelmente perder três jogos e ter um novo treinador e uma nova filosofia. A gente sabe o que o clube quer e o pensamento do treinador. Basta a gente executar no campo. Tudo caminha junto".
O clube respeita a história do Rogério dentro do São Paulo e parece que também respeita e vê futuro em seu trabalho. Acho que o Rogério e o São Paulo nasceram um para o outro.
O Pantera Negra
Patrick ficou marcado pela comemoração que faz em seus gols. No São Paulo, Patrick soma 30 jogos e cinco gols marcados. Em todos, ele faz a sua comemoração de punho cruzado, mas sem poder colocar a máscara que comprou há alguns anos, em um passeio despretensioso pelo shopping. Num clima de muita resenha, Patrick contou todo o contexto da sua marca e revelou um esporro histórico de Rodrigo Caetano, então diretor do Internacional na época, quando a comemoração foi inaugurada pelo jogador em uma partida contra o Vasco.
Fonte: TNTSports

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