Marquinhos se posiciona como ídolo: lição de respeito antes do clássico

Meia, de 31 anos, pede clima de paz na partida entre Avaí e Figueirense. Ídolo dá recado: 'que ao final do jogo abrace o seu amigo torcedor'

Com 31 anos, Marquinhos está mais maduro e consciente. As palavras, antes, quando jovem, eram de provocação ou atravessadas. No entanto, o tempo, que passa para todos, deixa o camisa 10 do Avaí mais calmo e preparado para saber o poder que, sua posição de ídolo, exerce sobre os apaixonados pelo Leão da Ressacada. Em véspera do clássico diante do maior rival, o meia dá um recado com sobriedade e respeito por adversários e aqueles que sentam nas arquibancadas. Marquinhos está diferente.

 

Esqueça o Marquinhos do começo da carreira que, em alguns momentos, procurou provocar os rivais com danças e palavras mais duras. Diante de um cenário que o jogador de futebol entende ser de dificuldade, por uma sociedade que tem um limite tênue entre a tolerância e a intolerância, o tempo deu ao atleta mais parcimônia. Depois de ostentar a camisa 10 em diferente regiões do Brasil e até do mundo, o ídolo do Avaí parece ter entendido a força que os onze atletas podem exercer de dentro dos gramados para fora dos estádios.
Diante disso e de mais um clássico que se aproxima com o Figueirense, no próximo domingo, na Ressacada, Marquinhos pede paixão e, ao mesmo tempo, respeito. O loiro espera por um jogo duro e disputado entre as equipes e também, porque não, entre os torcedores. Porém, que fique dentro do estádio. Afinal, depois do domingo, dia do jogo, a segunda-feira virá.

A rivalidade deixou de ser ferrenha como era antigamente. Antigamente os estaduais eram o ‘Campeonato Mundial’. Hoje o mundo está mais globalizado. O mais importante é que o torcedor que vier para torcer para o Figueirense ou para a gente, que saiba que na segunda-feira ele irá trabalhar. Independente do serviço dele, ele terá que trabalhar, com sabedoria e saúde para levar o seu pão para casa. Como a gente vai fazer dentro de campo botando o coração na chuteira, mas nada de deslealdade, até porque e a gente se conhece bastante. No domingo vai ter muito público e a gente sabe que dentro de campo somos um exemplo para que os torcedores apenas apoiem – analisa.

Análise é de quem é pai e teme pela realidade e futuro do filho. Os 31 anos de idade e a vivencia que as experiências do futebol proporcionaram ao catarinense de Biguaçu, o colocam com um novo olhar. Marquinhos que já dançou o ‘Créu’, provocou os ‘coirmãos’ com frases de efeito e também gols, hoje opta por um apelo para que os torcedores entendam que futebol é um esporte.

— É um final de semana diferente para a cidade. Eu peço para que os torcedores possam aproveitar esse momento diferente em nossas vidas. Para que eles possam ir e vir com a camisa azul e branca ou a preta e a branca, sem violência e situações que não cabem mais no futebol. Que a gente possa fazer um grande clássico. O mais importante é que o país vive uma violência que transtorna tantas famílias, hoje se ‘mata por nada’. Ao torcedor que venha para xingar o jogador, me xingue, mas que ao final do jogo abrace o seu amigo torcedor alvinegro ou o seu amigo torcedor avaiano — pede Marquinhos.

A rivalidade que ainda é intensa na cidade de Florianópolis, coloca Avaí e Figueirense frente a frente na luta por uma vaga às semifinais do returno do Catarinense 2013. Se os anos deram a Marquinhos uma outra visão do mundo longe dos gramados, também deram a ele no ‘mundo da bola’. Dentro de campo, a técnica permanece a mesma, mas a cadência faz o jogo fluir diferente. Por isso, antes de mais um clássico, o capitão avaiano entende que existem algumas ações na realidade ‘boleira’ que alteram pouco o resultado final.

Todo clássico é diferente. São duas equipes da mesma cidade, é um jogo que a paixão vai ao extremo. A gente sempre comenta que a concentração tem que estar lá em cima e a ansiedade embaixo para que isso não nos atrapalhe. É um clássico que estamos abaixo na tabela, precisamos muito da vitória. Esse negócio de ficar escondendo jogo, não existe mais. Não temos nada que esconder não, pois senão a gente esconde muito e some com o nosso próprio futebol. Isso é só para dar matéria e ganhar moral um com o outro. Se o treinador não atrapalhar, já está ajudando, pois o jogador é quem decide dentro de campo. Quem vier do outro lado, vai vir com qualidade, temos que respeitar e jogar – avalia.
A bola irá rolar para Avaí e Figueirense, na Ressacada, às 18h30m, de domingo, em Florianópolis. Na tabela do returno, o Figueira é líder, com 12 pontos. O Avaí está em quarto, com 10. A classificação geral do Estadual exibe o Alvinegro em primeiro, com 29 pontos, e o Leão com 22, na quinta colocação.

Fonte: Globo Esporte

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