Camisa 10 do Leão tem novo vínculo até 2016 e não sabe se vai parar de jogar após dois anos. Intenção é levar clube de volta à elite e projeta G-4 antes da parada da Copa
Como se fosse um jogador recém-contratado, Marquinhos ganhou uma recepção de peso no anúncio de seu contrato com o Avaí, repetindo a ação que havia acontecido com Cleber Santana. Camisa 10 e capitão do Avaí, o meia esteve cercado pelo presidente do clube, o vice, o presidente do conselho deliberativo e o coordenador de futebol, que deram as boas vindas ao atleta de 32 anos, que fica na equipe azurra até 31 de maio de 2016.
Marquinhos estava emprestado pelo Grêmio e o contrato com o clube gaúcho termina no começo de junho. Os vencimentos do atleta, cerca de R$ 160 mil, eram pagos na sua maioria pelos gremistas. Agora, para seguir em Florianópolis, no clube em que é ídolo e torcedor, o meia receberá aproximadamente R$ 50 mil, com bonificações em caso de acesso à Série A do Brasileiro.
O acerto do novo contrato era algo que, segundo Marquinhos, nunca foi um problema. Havia a questão salarial do antigo documento que indicava a preferência de acerto com o Avaí junto ao Grêmio, com valores de Série A. Com o fracasso na campanha da Segundona em 2013, os novos valores foram discutidos. Com a situação resolvida, o jogador volta as atenções para o campo.
- Só tenho a agradecer por quem torceu pela prorrogação do contrato, mas em nenhum momento ficamos preocupados. Era coisa simples, tanto que deixamos para as águas rolarem, sem apressar. Agora é dentro do campo mostrar o que sei e o que vou mostrar, porque nunca fujo das minhas responsabilidades. O Avaí está bem servido de ídolo, capitão e de torcedor – disse o jogador, na assinatura do novo vínculo.
Confira abaixo a entrevista completa de Marquinhos
O processo do novo contrato
É muito importante esse momento para mim, na minha carreira. Esse contrato já tinha sido feito, quando foram me buscar no Grêmio, eu falei que saía por um ano e meio de empréstimo e mais um ano e meio de contrato. Naquela ocasião foi colocado um salário que se fosse de Série A oi Avaí poderia pagar. Como a gente não teve o sucesso, fizemos uma reunião em dezembro com o presidente eleito, sabia que o Avaí não poderia pagar aquele salário e eu não havia assinado por questões minhas, porque a gente não alcançou. E as propostas que tive, no ano passado, quando teve proposta do Catar, falei com todo mundo que gostaria de permanecer. E permaneci, contente, ciente de que tenho muito futebol a mostrar. Momentos ruins acontecem. E nesse um ano e meio de Avaí devo ter participado de mais de 50 gols e se for falar de custo benefício foi bom para o Avaí. Quando saí, deixei dinheiro. Sou importante para o Avaí, mas eles mais para mim. Eu hoje estou encaminhando para 300 jogos pelo Avaí. E o meu pensamento era terminar no Avaí. Só tenho a agradecer por quem torceu pela prorrogação de contrato, mas em nenhum momento ficamos preocupados. Era coisa simples, tanto que deixamos para as águas rolarem, sem apressar. Agora é dentro do campo mostrar o que sei e o que vou mostrar, porque nunca fujo das minhas responsabilidades. O Avaí está bem representado de ídolo, capitão e de torcedor.
Cláusula de saída e aposentadoria
Se vierem propostas, vamos escutar, como sempre vieram e a gente vai conversar com o presidente. Pretendo encerrar aqui, não sei se nesses dois anos ou mais. E eu não quero prejudicar o Avaí. Se eu vir que não para ajudar e atrapalhar, mas não é o caso. Eu quero é sempre poder seguir ajudando.
Acomodação aos 32 anos
Quando o rival ganha jogo, passam na minha casa, buzinando, tirando sarro. E eu não nasci para ser chacota. Depois que pisei aqui, aquele negócio de desrespeitar o Avaí, acabou. Vou lutar por ele até o fim da minha vida. Às vezes passo dos limites, mas sem acomodação. Sair de onde saí, se eu tivesse acomodação, não estava mais no futebol. Quando eu visto a camisa da entidade, a maior do estado, eu respeito. Às vezes eu vou mal, posso errar, sou ser humano. Acomodação da minha parte não vai ter.
Atual momento no Avaí
O meu momento e eu fico chateado é de não poder ter botado o Avaí na Série A no ano passado, de não ter conseguido o objetivo. Se pega um time fraco e você não coloca, é uma coisa. Mas nosso time não é ruim. Faltou um algo a mais. É muito fácil jogar as culpas, mas não. Eu joguei com salário atrasado em outros clubes e venci. O que faltou foi em campo. Mas ninguém vai chutar cachorro morto, temos dignidade. E comigo, quando assina, pode contar, é mais que um jogador, sou um símbolo. Se eu não fosse tanto Avaí não sentiria as derrotas, é uma situação que vivo, aonde eu vou eu levo o nome do Avaí. Tem um dilema que carrego, pelo Avaí venci, chorei, perdi, mas não valeu a pena torcer por outro time, vou ser sempre Avaí. E falo para os torcedores apoiarem, precisamos deles nesse momento. Na Série A não precisa pedir o apoio, eles vão vir. Agora é um momento de reconstrução, temos que vencer e ter essa ajuda da torcida.
Objetivos no clube
Primeiramente é botar o Avaí na Série A. Essas metas individuais são importantes, principalmente com os gols vou ajudar. Mas em nenhum momento vou levar isso ao pé da letra, porque às vezes posso prejudicar o grupo. Eu nunca fui obstinado a ser artilheiro, aconteceu com 32 anos. Mas eu não vou forçar nada, o importante é o Avaí estar no auge e o que eu vou fazer é batalhar.
Como acabar com a fase ruim
Primeira coisa é fazer da Ressacada um caldeirão, tem que ser nossa casa, o adversário tem que vir de ré. Não pode dar mole dentro de casa. E temos que botar tudo que nos trouxe, os adjetivos da imprensa, em prática. Temos que mostrar. Estamos treinando, correndo, mas não é o bastante. Tem que vencer os jogos. A Série B não vai para a estatística que jogou bonito. Temos que nos encaixar com os jogadores novos, fazer um grupo forte, que faltou ano passado. Tinham jogadores que não vinham sendo utilizados e não se preparam quando precisamos. O torcedor pode ficar tranquilo, até a parada da Copa estaremos entre os quatro e, se não estiver, tem que estar pertinho. É obrigação nossa pelo investimento, por isso pedimos o apoio do torcedor.
O que fazer após aposentadoria
Meu sonho é poder ajudar. Eu falei várias vezes que eu tenho uma meta de ajudar quando parar e revelar jogadores da região. Temos esses jogadores aqui. Eu saí daqui e vão sair mais, não pode parar. A gente olha o Jardel, está no Benfica. O Edílson, no Botafogo. Acabou aquele negócio de ter que sair daqui para virar jogador. Eu não tenho objetivo de ser treinador, já sou xingado jogando, imagina como treinador? Tem que dar uma paciência para a mãe, a esposa, que sofrem. São dois anos de contrato, mas eu vou estar muito feliz.
fonte: globo.com

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