Roger Machado herdou o Grêmio de Luiz Felipe Scolari em maio prometendo resgatar agressividade e intensidade...do Grêmio multicampeão de Felipão nos anos 1990, no qual era o lateral-esquerdo.
Porque a escola gaúcha sempre foi intensa. Mas antes chamavam de "garra" ou "pelear". Ou nunca se entregar. Mas já era intensidade, com ritmo mais forte, mais argentino e uruguaio que do eixo Rio-São Paulo.
O novo técnico gremista, porém, não é, nem poderia ser, um saudosista. Está antenado e constrói aos poucos uma equipe compacta, reduzindo o campo a 30 metros. Também móvel, sem o típico centroavante. Sem o Jardel de Felipão.
Na frente está Luan, saindo para os flancos e abrindo espaços. Como no primeiro gol dos 3 a 1 sobre o Santos na Vila Belmiro que chegou a alçar o Grêmio à liderança do Brasileiro até o Atlético-MG atropelar o Internacional e tomar a dianteira.
Giuliano, meia do 4-2-3-1 que Roger manteve como sistema tático, sai da direita por dentro e abre o corredor para o lateral Rafael Galhardo, outro a crescer com Roger e compensar suas muitas dificuldades, especialmente na tomada de decisão.
Combinação óbvia, se Luan não se deslocasse e recebesse às costas da defesa, acelerando e servindo Pedro Rocha, que também fechou em diagonal da esquerda para não esvaziar a área adversária e aparecer para finalizar.
Jogada bem pensada e executada, reflexo da superioridade da equipe gaúcha mesmo antes da polêmica expulsão do santista Geuvânio ainda no primeiro tempo. Do time que finalizou 16 vezes contra sete, mesmo com apenas 48% de posse. Mas 93% de aproveitamento nos passes.
Porque tem Douglas. Segundo Roger, o meia "que altera as velocidades do jogo". Dita o ritmo com a bola. Sem ela, descansa. Como Seedorf no Botafogo de Oswaldo de Oliveira em 2013 e Valdívia no Palmeiras de Gilson Kleina no ano passado. Luan compensa voltando para ajudar - do quarteto ofensivo, é quem mais desarma.
Douglas corre menos que os demais, mas pensa o jogo. Precisa e tem velocidade ao seu redor, companheiros se movimentando e dando opções para a distribuição. Digamos que seja a única peça "retrô" neste Grêmio que se propõe a ser atual. Ainda assim, é mais participativo que em outras campanhas. Lembra o da arrancada em 2010 no próprio Grêmio, com Renato Gaúcho.
Agora é a vez de Roger, outro ídolo do clube. Recebeu o elenco tão criticado por Felipão, entendeu as dificuldades financeiras e trabalha com o que tem. Aos poucos vai atualizando a escola gaúcha.
Sem Maicon na Vila, usou Walace e Edinho. Volantes mais marcadores, porém incentivados e treinados para acertar o passe além de destruir. O primeiro é o melhor no fundamento, com 92% de aproveitamento. O segundo serviu Yure Mamute no terceiro gol.
Sinais de evolução do time que venceu nas últimas cinco rodadas, desde a derrota para o São Paulo. Em oito jogos, seis triunfos e o empate com o Goiás na estreia de Roger.
Equipe forte. Tipicamente gaúcha como a de Felipão há 20 anos, mas sem cruzar para Jardel. Bola no chão, no ritmo de Douglas. Ataque rápido e móvel, porém chegando em bloco, sem o típico contragolpe. Reduzindo o campo e tentando jogar em espaços curtos. Um raro indício de renovação no estagnado futebol brasileiro.
Como deve ser em 2015, que talvez não termine com a taça que o Grêmio não conquista desde 1996 - com Roger e Scolari. Mas que pode acabar bem melhor do que as previsões sombrias do início da temporada.
fonte: espn.uol.com.br/

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