Formado na academia de Alcochete e lançado no futebol sénior por intermédio do Sporting, Renato Neto é o exemplo de que nem todos os talentos que emergem em Portugal podem singrar nas equipas que os projetam. Mas é também o exemplo de que o potencial não se esgota numa tentativa.
Depois de não conseguir agarrar o lugar em Alvalade, saiu por empréstimo e acabou por se desvincular mais tarde. Uma decisão que poderá ter sido acertada, sobretudo se tivermos em conta que hoje, aos 24 anos, tem carimbado o acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões por um clube que fez história.
No Gent, foi campeão na época passada, é totalista na prova milionária e vai-se mostrando ao mundo do futebol. O zerozero.pt foi falar com o médio brasileiro.
A curiosa união por uma causa nacional
Essa carreira está em grande crescimento. Conte-nos como isto está a correr.
Está a correr tudo bem. Ganhámos o campeonato e a supertaça, mas no início do ano ninguém esperava que pudéssemos fazer esse grande trajeto até agora, até porque é um novo projeto, o qual o treinador iniciou na época passada e com bons frutos. Em relação a mim, também está tudo muito bem, estou a jogar sempre e a marcar golos decisivos. Estou feliz no momento, está a ser oportuno e a Liga dos Campeões é uma vitrina.
O Gent é a primeira equipa belga a conseguir a qualificação na fase de grupos neste formato. Como está a ser vivido o feito na Bélgica?
Está a ser mesmo um momento muito positivo e exemplo disso é que até os presidentes dos outros clubes, como do Anderlecht ou Standard, disseram que estavam a apoiar-nos. Era um facto histórico para a Bélgica e todo o mundo estava apoiando, no estádio, nas televisões. A festa foi ainda maior, todos ficaram muito orgulhosos!
Isso era um bocado difícil acontecer aqui em Portugal...
É... [risos], aqui é diferente. Há rivalidade, mas pensa-se mais pelo país. E, em 15 anos, foi a primeira vez que um clube belga se apurou para tão longe.
O apuramento foi histórico, mas aconteceu no segundo lugar. Para a próxima fase, há preferências no adversário?
Todos conseguiram o grande objetivo e querem agora jogar contra os grandes, para terem o prazer de dizer que jogaram contra o Messi, o Cristiano, o Lewandowski... Mas há também o outro lado, como o nosso treinador diz, que é: já que estamos aqui, queremos algo mais e para isso talvez seja melhor apanhar uma equipa mais acessível.
E, passando, se o Benfica também passasse, até poderia acontecer uma viagem a Portugal. Já pensou nisso?
É, ia ser engraçado, mas agora infelizmente não dá. É complicado, mas para sonhar não se paga. E voltar a Portugal pode ser sempre mais especial.
Um 10 que não muda a vaidade
O Renato tem agora outro estatuto. Veste a camisola 10, que é sempre emblemático e um pormenor que o jogador brasileiro costuma gostar...
É verdade [risos]...
Isso muda-lhe a vaidade?
Não, até porque eu nem sou mesmo aquele número 10 habilidoso, que está ali para fazer bonitinhos. Eu não sou desses [risos]. Já era o 10 no Videoton, quando vim para o Gent esse número estava livre e então eu peguei. Mas, mais a sério, sou agora um jogador diferente, ganhei outro estatuto também por estar a jogar e por estar nas competições europeias. As pessoas estão a ver os meus jogos e isso é bom.
Tem tido abordagens?
Sinceramente, não tive nada, ou, pelo menos, nada que chegasse a mim. São assuntos do meu empresário apenas.
Conta mais com um regresso a Portugal ou ao Brasil?
Para ser sincero, tenho muitas saudades da minha família. Jogar no meu país também seria um sonho que queria realizar, mas, por agora, não tenho muitos planos para voltar ao Brasil. Estou mais habituado à Europa e a Portugal. Espero voltar a Portugal um dia.

wmi9