Técnico da seleção sub-21 deve viajar em 2015 para observar novos jogadores nascidos entre 93 e 94 para o time. GloboEsporte.com levanta possíveis nomes
A convocação do atacante Rodrigo Moreno pela Espanha foi apenas o episódio mais recente no histórico brasileiro de ver seus jogadores defenderem outros países. Para tentar evitar novos casos, o técnico da seleção sub-21, Alexandre Gallo, dará início no próximo ano a mais uma etapa de mapeamento de atletas elegíveis para o Brasil na Europa. Agora, a ideia é buscar aqueles nascidos entre 1993 e 1994, já saindo das categorias de base e suscetíveis a outras chamadas.
- No ano que vem nossa maior intenção é nestes jogadores, que não são mais sub-20 e não jogam na nossa Seleção principal. Automaticamente, nesta idade, as seleções da Europa pegam estes atletas. Queremos entender como está o nível destes que não estão vindo com a gente, mas estão jogando. Não terminamos o levantamento. Na identificação que fiz, é nesta idade que perdemos para a Seleção principal. Há um vácuo – explicou o treinador.
Nesta faixa etária, há dezenas de jogadores brasileiros atuando na Europa. Muitos são completamente desconhecidos do torcedor. Num levantamento feito pelo GloboEsporte.com (veja no fim da matéria), surgem atletas que atuam em centros menos expressivos, como Armênia, Sérvia, Grécia e Áustria. Ciente do alto número, Gallo quer utilizar os grandes clubes do Velho Continente como filtro.
- Você vai na segunda e terceira divisões da França, e está cheio de jogador... Não dá para ser nossa referência. O foco tem que ser nos grandes clubes. Para esta nossa categoria (sub-21), temos o Wendell, que joga no Bayer Leverkusen, o Fred, no Shakhtar, só time grande. Como você vai buscar um atleta de segunda divisão? Não vai ser no nível destes, senão eles que estariam lá. Não tem como fugir dos grandes clubes.
Gallo planeja acompanhar pessoalmente alguns dos atletas monitorados na segunda quinzena de fevereiro. Até lá, porém, há um longo processo de mapeamento. Primeiro, o treinador consulta os registros da CBF e seus contatos em clubes na Europa para localizar os jogadores. Depois, utiliza ferramentas tecnológicas para observar partidas, reduz a lista e, só então, parte para a observação.
Ainda assim, o treinador reconhece que não tem como seguir mais de perto os jogadores na atual estrutura. E admite: mesmo com todo o esforço, ainda vai perder atletas para outros países.
- Para montar uma rede maior, só se tiver um representante na Europa. Não é nossa ideia inicial, porque vai ter que morar lá. É muito difícil. Mesmo assim vamos perder. É inevitável. Não temos condições de monitorar todos, nem convocações suficientes para todos os atletas.
Itália e Portugal: brasileiros em abundância

Na faixa definida por Gallo para ser observada no ano que vem, há diversos nomes que já atuam nas seleções de base de outros países. A Itália é a campeã, com dois: o zagueiro Rodrigo Ely, ex-Milan e agora no Avellino, que já atuou no sub-20 da Azzurra, e o meia Daniel Bessa, do Bologna, com passagem pelo sub-18. Além deles, há outros atletas já com nacionalidade de países europeus: o zagueiro Alan Empereur (Fiorentina), já italiano, o volante Gabriel (Juventus) e o lateral Vinícius (Lazio), estes últimos elegíveis para atuar por Portugal.
As terras lusitanas, aliás, são outra possível fonte de atletas. De lá, Gallo já chamou nomes como o atacante Kelvin, do Porto, e o goleiro Ederson, do Rio Ave – além de Anderson Talisa, mais famoso, do Benfica. Mas há mais nomes que o técnico pode observar, como o atacante Luiz Phellype, do Estoril, o meia Diego Lopes, do Rio Ave, que já passou pela base benfiquista. E um caso típico da preocupação brasileira: o meia Wallyson Mallman, que tem nacionalidade alemã, pertence ao Manchester City e está emprestado ao Sporting.
- Eu não esperava achar tantos jogadores – admitiu Gallo.
Gedoz: resultado de busca anterior
Ao menos, o trabalho começa a dar resultado. Um exemplo é o atacante Felipe Gedoz, convocado para disputar os amistosos de outubro com a seleção sub-21. Revelado pelo Defensor, do Uruguai, ele foi cogitado na Celeste. Hoje, atua no Brugge, da Bélgica.
- Não era só o Uruguai interessado, havia outros países. O Felipe vinha se destacando pela Libertadores que fez, me chamou bastante atenção. Esperei o momento certo para convocá-lo – disse Gallo.
- Houve muitas especulações para jogar no Uruguai, mas nada concreto. Depois que chegou a convocação do Gallo não pude dizer não – contou Gedoz.
Para Gallo, porém, a batalha ainda está longe de terminar. O treinador, aliás, não concorda com a atual regra da Fifa, que permite que atletas atuem por diferentes seleções de base e só se comprometam com um país após disputar um jogo oficial pela equipe principal.
- É a regra. Acho que se um atleta jogar uma competição com a camisa de uma seleção, mesmo sendo base, deveria fechar. Senão vai virar um comércio. É meu ponto de vista, mas temos que respeitar a regra que existe hoje – lamentou.

fonte: globoesporte.globo.com

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