Meia vem jogando em posição diferente com o técnico, como meia esquerdo, e dá dinâmica e velocidade ao time, que chegou a três vitórias seguidas
O gol foi de Edenílson. A despedida, de D´Alessandro. E o destaque da partida novamente foi Patrick. Um dos pilares de Abel Braga desde que retornou ao Inter no lugar de Eduardo Coudet, o meia deu assistência para o primeiro gol e foi fundamental na vitória de 2 a 0 sobre o Palmeiras, no Beira-Rio, que reforça a briga do Colorado pelo G-4 do Brasileirão.
É a terceira vitória seguida do Internacional, as três com Patrick na mesma função: um meia aberto pelo lado esquerdo. É uma interpretação diferente de Coudet, que via Patrick ora como o meia central do 4-1-3-2, ora como um dos volantes pelo lado. De certa forma, Abel resgata a visão de Odair Hellmann sobre o meia ao posicioná-lo como um falso ponta. Contra o Palmeiras e o Botafogo, o Inter jogou num 4-2-3-1, com o jogador preenchendo o lado.
Já contra o Boca, talvez os melhores noventa minutos de Patrick no ano - o que rendeu o prêmio de melhor jogador da partida - a função foi a mesma, mas em esquema diferente. Abel formou um 4-1-4-1, com Praxedes e Edenílson alinhados. Perceba que Edenílson, na imagem, está uns metros mais à frente. Isso porque ele acompanha o meia que recua para dar apoio ao zagueiro. É uma situação circunstancial, portanto, não altera o esquema.
A grande sacada de Abel foi dar mobilidade total a Patrick. Com a bola, ele se movimenta pelo campo inteiro a abre espaço para Moisés apoiar. Participa ativamente da construção do Inter e faz o que é a marca registrada do técnico: acelera o jogo e entra na área.
É na dinâmica da equipe com a posse de bola que Patrick mudou o Inter. Ele não fica preso ao lado esquerdo. Pelo contrário: se move pelo campo inteiro e ajuda Galhardo, Caio e Praxedes a criar dificuldade para a linha de defesa dos adversários. A intenção é sempre a mesma: estar na entrelinha, a lacuna entre as linhas de marcação. Assim, Dourado faz a saída de três, Edenílson (ou Praxedes) fica uns metros acima e ao menos quatro jogadores do Inter preenchem um setor que base diretamente com a zaga adversária. Veja que a linha de defesa do Palmeiras tem que se preocupar com quatro jogadores.
Mesma coisa contra o Boca: Patrick sempre na entrelinha. Aqui há uma variação, que é Galhardo mais à frente, prendendo a zaga, dando profundidade. Patrick e Edenílson, que são rompedores, conseguem receber a bola, girar e conduzir, no espaço entrelinhas. O gol do Inter na Bombonera sai desse movimento, com Patrick retomando a posse e conduzindo até o lateral dar o cruzamento. É o famoso "chuta, cabeceia e comemora" Ele retoma a posse, conduz, dá o passe e se apresenta na área para finalizar. Tudo porque tem muito mais espaço de atuação por dentro.
Abel pensa futebol de um jeito diferente de Coudet. E tudo bem com isso.
É, de fato, um jeito muito diferente de armar a equipe do último técnico. Depois de um choque inicial, o Inter evolui em desempenho e resultado e ressalta que briga na parte de cima da tabela.
Se Coudet gostava da marcação pressão, de retomar a bola perto do gol, Abel gosta de um time marcando a partir da intermediária, jogando de forma ainda mais rápida e vertical. Não existe melhor ou pior. São duas pessoas diferentes, com visões totalmente diferentes de futebol. É preciso entender e respeitar essas visões.
Um exemplo dessa visão é a forma como a equipe marca a saída de bola do adversário. Com Coudet era aquele sufoco. Todo o time, incluindo a linha defensiva, era orientada a pressionar lá na frente. Esse movimento gerava alguns pontos positivos, como várias recuperações de bola que terminavam em gol - lembra de Universidade Catolica e Flamengo - mas também gerava contra-ataques perigosos.
Abel pensa o oposto. Quer um time que "saiba sofrer" e marque mais recuado. Novamente Patrick é fundamental, porque é ele quem muitas vezes comanda a pressão. O que é isso? Se ele resolve sair da meia esquerda e pressionar um zagueiro ou lateral, o Inter tem que mover suas peças para que todo mundo comece a encaixar o adversário. Ao correr para frente, ele indica que o time deve avançar mais. Veja que, contra o Palmeiras, Patrick iniciava a pressão cercando Marcos Rocha, que faz o tão característico movimento de buscar a bola dos zagueiros.
Resultado: o Palmeiras foi totalmente anulado em sua construção.
Tudo tem seu lado positivo e negativo. Galhardo pode não ser o mesmo, assim como Patrick, que cresceu demais. No fim, futebol é um eterno exercício de colocar as coisas na balança e entender se há mais aspectos bons ou ruins. Após um início conturbado, finalmente a balança fica positiva para o Colorado de Abel Braga e um Patrick cada vez mais importante.
Fonte: GloboEsporte

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