Conheça os bastidores da primeira venda do Cruzeiro depois que virou SAF
Nesta semana, o Cruzeiro oficializou a primeira venda de um jogador para o mercado europeu desde que foi transformado em SAF (Sociedade Anônima do Futebol) sob o comando de Ronaldo Fenômeno. No entanto, a venda do atacante Thiago ao Ludogorets, da Bulgária, não foi nada fácil devido a mudança que o clube celeste passou.
A equipe búlgara tinha interesse na contratação do jogador desde outubro do ano passado, mas como o clube mineiro passou pelo período de transição para SAF, os europeus resolveram esperar.
Após negociações comandadas pelo executivo Pedro Martins, o clube celeste vendeu 75% dos direitos econômicos do atleta e manteve um percentual em uma eventual venda futura.
“A SAF ficou operacional na última sexta-feira, e por conta disso a transferência foi finalizada somente na segunda. O sistema TMS (Transfer Match System) da Fifa, inclusive teve nuances de muito ‘estress’. Quase não deu certo porque a inscrição foi complementada faltando 15 minutos por causa dessa mudança no sistema da Fifa para o Cruzeiro SAF”, contou Marcelo Robalinho, dono da empresa Think Ball, que intermediou a negociação, ao ESPN.com.br.
“O TMS ainda não estava ativo para a SAF e, para piorar, era Carnaval. Foi uma operação que o Cruzeiro montou pra fazer a transferência acontecer. Será muito importante para o mercado europeu”, disse.
O que é o TMS?
O Transfer Match System é um sistema informatizado feito pela Fifa para regulamentar as transferências internacionais e dar mais transparência aos negócios. Os clubes envolvidos na negociação precisam enviar os documentos e preencher uma ficha com todos os dados, que depois são cruzados, o famoso “match”.
“Antigamente era tudo feito por fax e não tinha controle algum. Hoje, se estiver qualquer informação que não bata em ambas as partes, o negócio não é finalizado. E fazemos também o upload dos contratos para que não tenham cláusulas abusivas. O dinheiro das transferências só podem ir para a conta do clube”, explicou Robalinho.
O que muda com a SAF na venda de jogadores?
A negociação de Thiago foi a primeira transferência internacional de uma SAF no futebol brasileiro. De acordo com Robalinho, o processo de venda de jogadores é praticamente igual, mas as tributações são diferentes.
“Como os clubes associativos são entidades sem fins lucrativos, não tinha impostos. Agora, como uma SAF isso muda e tem uma alíquota a ser definida de tributos. A maior mudança é a visão de mercado porque uma gestão mais profissional olha para uma série de custos que o clube não olha. Isso tem um peso na hora de negociar. Por exemplo, salário. Eles tem uma previsão de quantos minutos esse jogador vai jogar e qual o custo disso. As Safs são mais preocupadas com a saúde financeira. Mas é importante dizer que vão ter Safs boas e ruins, vai depender das pessoas envolvidas”.
fonte: espn.com.br

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