De volta à fase de grupos da Liga dos Campeões depois de 21 anos, o Legia Warszawa, da Polônia, não deu muita sorte no sorteio da Uefa. O clube caiu na chave que tem o atual campeão, Real Madrid, além de Borussia Dortmund e Sporting. Para tentar ser a surpresa do torneio, o Legia conta com um talento brasileiro, o meia Guilherme Marques.
Na Polônia desde a temporada 2013/2014, Guilherme afirma que o sorteio não foi ruim. “Gostei do nosso grupo, fiquei satisfeito. Depois de 21 anos, merecíamos jogar contra clubes que chamam a atenção, status”, afirma o meia. “Falei com o pessoal do clube e todos estão contentes, apreensivos e esperançosos, afinal vamos jogar contra grandes equipes”, completa.
Aos 25 anos, Guilherme está no futebol europeu desde os 16 anos, quando deixou o Paraíba do Sul, do Rio de Janeiro, para tentar realizar o sonho de ser jogador. Contratado pelo Braga, ele jogou ainda pelo Gil Vicente antes de chegar à Polônia.
“A cidade de Varsóvia é muito bem estruturada, a grandeza dela impressiona, assim como a paixão dos torcedores. Eu conhecia o Legia por ter jogado contra e sempre me falaram bem. Meu empresário era o mesmo do Roger Guerrero (ex-Corinthians e Flamengo) e me passou coisas positivas”, conta.
Veja a entrevista exclusiva do Torcedores com o meia.
Vida na Polônia
– Entendo bastante coisa em polonês, mas a língua é bem complicada, uma das mais difíceis do mundo, no cotidiano eu falo algumas coisas, mas quando o torcedor vem falar, não entendo nada. O Amaral conta que jogou aqui e viveu situações engraçadas, por que ‘curva’ é um xingamento, aí você vai na linha de fundo e fala “faz a curva”, eles acham que você está xingando. Eu falo inglês, mas nosso clube é bem estruturado, tem tradutor, fala bem português e usamos para resolver casos de documentação.
– A cultura é bem diferente, o Brasil é mais acolhedor e alegre, na Europa não tem esse lado, as pessoas são frias, mais fechadas, não confiam em você até te conhecer melhor.
– A gastronomia é um pouco diferente, mas eles comem muito carne de porco, pato e coelho. Já comi avestruz, é bem gostoso, parece frango, mas é mais seco. Uma vez fui tomar uma sopa rosa, quando coloquei na boca, era gelada, horrível. Não dava, ia contra meus instintos.
O futebol no país
– Contra a Alemanha foi um jogo em que toda a Polônia parou para torcer e apoiar a seleção, era questão de honra vencer os alemães, uma rivalidade.
– Ano passado foi brilhante, não começamos bem, chegamos a ficar dez pontos atrás, mas recuperamos e ganhamos no ano do centenário do clube, a cereja do bolo foi entrar na Liga dos Campeões.
– Aqui está uma euforia, são 21 anos sem jogar. A torcida é apaixonada, mas a pressão era grande e agora estamos curtindo, temos uma média de 25 mil a 30 mil torcedores por jogo.
– O campeonato polonês não tem muitos jogadores técnicos, tem mais bola longa, força física, times sempre fechados no contra-ataque e taticamente são muito bons, eles deixam tudo em campo.
Liga dos Campeões
– Nós sabemos que os outros times estão em outro patamar, vamos dar o máximo e fazer uma Champions surpreendente, sem perder o valor, temos jogadores de qualidade, a Polônia fez uma excelente Euro.
– A gente assiste os jogos do Cristiano Ronaldo e espera por esse momento, seria o ponto mais alto da carreira, sonhamos com isso.
– Esses jogos são a chance do mundo nos ver, são milhões de pessoas assistindo, oportunidade para mostrar o nosso valor.
– Jogar a Champions no Bernabéu é um sonho, agora temos de aproveitar.


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