Polivalente, volante conta como se firmou entre os titulares do Inter em menos de dois meses de clube. Extrovertido, brinca com estilo e torce por chegada do filho recém-nascido
Patrick conta os dias. Em 9 de março, o pequeno João Patrick, seu primeiro filho , desembarcará em Porto Alegre com Fernanda, a esposa. A dobradinha chega para ser o amuleto em busca da vitória no Gre-Nal. Porém, apesar do misto de ansiedade e saudade, o colorado é só sorrisos. Não apenas pelo estilo irreverente, de quem se diverte com o próprio bigode, cuidadosamente enrolado. Ambientado ao vestiário, se consolidou como um dos expoentes do time de Odair Hellmann.
O jogador de 25 anos não se apegou ao habitual discurso de necessidade de tempo de adaptação. Aproveitou as chances recebidas pelo treinador e cavou sua vaga entre os 11 preferenciais. Focado em manter a regularidade e marcar época, mira o dia 11 de março. Já com a família instalada na capital gaúcha, disputará o primeiro Gre-Nal. Na manhã da última quarta, Patrick recebeu o GloboEsporte.com e a RBS TV em seu prédio, na zona leste de Porto Alegre, e comentou sobre as expectativas no clube gaúcho:
- Não esperava que me adaptasse tão rápido.
O clássico mexe com o volante. Patrick tem o sonho de fazer um gol, ou mesmo dar uma assistência na partida. Até para homenagear o rebento, a quem pretende que compareça ao Beira-Rio. Há outro fator marcante. O jogo pode alijar o Grêmio, atualmente no Z-2, do restante do Gauchão. O colorado evita polemizar, mas admite o ingrediente ao qual o confronto terá.
- Seria especial, claro. Eliminar o Grêmio ou ganhar um título em cima deles. É um clássico enorme. Temos que fazer nossa parte. Se eliminaremos ou não, aí não depende de nós. Faremos o nosso objetivo. Se eles forem eliminados, a culpa não será nossa - afirma.
Confira os principais trechos da entrevista:
GloboEsporte.com - Você esperava uma adaptação tão rápida?
Patrick – Muito boa. Não esperava que me adaptasse tão rápido. Fizemos uma excelente pré-temporada. Graças a deus, quando tive oportunidade, consegui demonstrar esta performance.
Quem o apresentou ao vestiário?
Foi o Camilo. É muita gente boa. O conhecia do Rio de Janeiro. Cheguei lá, apresentou a estrutura. Todo mundo me acolheu muito boa, mas foi o Camilo quem me apresentou o pessoal.
É o seu principal parceiro?
Brinco muito com o Camilo. Eu o chamo de cabelinho e ele me chama de bigodinho (risos). Há o Wellington Silva também, o Marcinho, o Dudu, que é com quem concentro. Mas temos um grupo no Whatsapp. Conversamos bastante. Brincamos muito. É algo bacana.
Você já conhecia o Wellington?
Nos conhecemos desde criança no Rio. Morávamos perto. Estudamos na mesma escola e jogávamos bola um contra o outro. Foi por 2009, 2010. A amizade vem de lá. É a primeira vez que estamos juntos. Ele já estava vendido ao Arsenal, era uma das estrelas do colégio. Quando foi vendido, todos ficaram felizes. É um moleque gente boa, diferenciado. Nos encontramos nas férias em Búzios. Ele disse que tinha assinado com o Inter. Eu falei que nos encontraríamos, mas ele não entendeu. Aí na apresentação, estávamos juntos (risos).
O Patrick joga em que função?
Do lado esquerdo, faço qualquer função. O Patrick vale por um. Só tem um (risos). Eu busco ajudar os companheiros, como eles buscam me ajudar.
Como foi para encaixar no time?
Conversamos. O professor Odair viu partidas minhas no ano passado como lateral, volante, aberto pela esquerda. Disse que veria nos treinos. Eu falei que estava à disposição. Joguei contra o Avenida (vitória por 3 a 0) de lateral-esquerdo. Falei que faria sem problema algum. Dentro dos treinamentos, ele avisou. Falou como usaria. Disse que estava à disposição. Aí consegui dar continuidade como titular. Eu tenho características de marcação. Também. Busco recompor com os volantes. Quando estou no ofensivo, eu busco avançar. E ajudo ao lado do lateral.
O que dá mais prazer? Roubar, dar assistência ou fazer um gol?
Roubar a bola e dar o passe ou roubar e fazer o gol (risos).
O Inter jogou a Série B e passou por muitos protestos, assim como ocorreu quando caiu. Há muita pressão ainda?
A pressão é sempre grande. É um clube gigante. Sempre terá. O que ocorreu não foi uma exclusividade do Inter. Ninguém quer passar por isso, é lógico, mas serve de aprendizado. Pode ocorrer. Temos que trabalhar. É um ano que todos querem mostrar a dar a volta por cima. Todos buscam mostrar. Temos que seguir nesta linha. A cobrança é interna. Quem chega precisa. Eu não quero cair. Quero brigar por títulos.
Tem medo de uma queda ou nem pensa nisso?
Não passa pela minha cabeça. O Inter precisa brigar por coisas grandes, mas não fechamos os olhos. Temos que fazer nossa parte, deixar o Inter na primeira divisão.
O Inter pode ganhar a Copa do Brasil?
É nosso objetivo. Acreditamos. Temos grandes chances. Buscaremos até a última gota.
O que você sabe do Gre-Nal?
É um dos maiores clássicos do mundo. Espero dar o meu melhor para o Inter.
Vocês já falam do clássico?
Temos ciência que está perto. Você sabe como fica. Temos um jogo importante pela Copa do Brasil (Cianorte nesta quarta-feira), mas olhamos o clássico. Precisamos saber o adversário da frente. Estamos espertos. Queremos passar na Copa do Brasil, mas no dia 11 a cabeça precisa estar pronta para vencer.
Você receberá um reforço no dia 11 de março. ..
Meu filho nasceu dia 9 de fevereiro. Com um mês, ele poderá viajar. Dia 10 ele concentra e no dia 11 vai para o clássico (risos).
Como faz para matar a saudade?
Falamos pelo celular. Minha esposa (Fernanda) manda vídeo. Eu também. É sempre bom. Bate a saudade. Fui ao nascimento, mas dá saudade. Nos viramos até o dia 9. A saudade aperta, mas sempre os vejo.
O Patrick é chorão?
Sou durão. Não caiu lágrima. Estava na maternidade. Até brinquei. Diziam que desmaiaria, mas fui, filmei todo parto. Segurei firme, mas é muita emoção. Já comecei a trocar fralda. Estou preparado. É um sacrifício maravilhoso. Dormirei menos, mas valerá a pena.
Seu filho estará no Beira-Rio no Gre-Nal?
Tentarei levar. Será um momento maravilhoso. Clássico com o filho no estádio. Tomara que possa, mas o mais importante é a saúde dele.
Terá gol ou assistência para o João Patrick?
Nem fala. Ainda mais no clássico. Que seja meu amuleto da sorte. Se Deus quiser, ele trará muitas alegrias a mim com a camisa do Inter.
Gol vale mais? E um erro?
É marcante. Vale mais do que as outras partidas. Você sempre relembra. Se estiver em campo e jogar, tomara que ajude o Inter e eu marque. É difícil perder. Alguém leva a culpa. Espero que o erro seja do adversário.
O Grêmio vive uma situação complicada no Gauchão. Eliminar seria especial?
Seria especial, claro. Eliminar o Grêmio ou ganhar um título em cima deles. É um clássico enorme. Temos que fazer nossa parte. Se eliminaremos ou não, aí não depende de nós. Faremos o nosso objetivo. Se eles forem eliminados, a culpa não será nossa.

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