No Brasil, poucos devem se lembrar de Caique, meia revelado pelo Vitória em 2007. Após passagens por Atlético Paranaense e Oeste, ele se destacou na campanha do Guarani na Série B de 2009, onde ajudou o clube de Campinas a subir para a primeira divisão. Suas boas atuações lhe renderam uma transferência para o Vasco no início de 2010.
No clube carioca, Caique não conseguiu repetir o mesmo desempenho dos tempos de Bugre, onde chegou a ser comparado com o ex-atacante Careca, que teve passagens marcantes por Guarani, São Paulo e seleção brasileira. Em entrevista exclusiva ao R7, o meia contou que não teve a sequência de jogos necessária para se firmar na equipe vascaína.
— Quando cheguei ao Vasco tive um pouco de azar, porque machuquei o joelho e fiquei praticamente um ano inteiro parado. Só voltei a treinar no final de 2010. Em 2011, estava apto a jogar, mas não tive as oportunidades que acho que merecia. Jogava um jogo, não ia no outro, não dava para mostrar meu trabalho jogando dez, 20 minutos.
Do Vasco, o meia foi para o Avaí, mas foi na Ásia que Caique deslanchou e encontrou seu melhor futebol. No início de 2012, o atleta recebeu proposta para jogar no Gyeongnam, da Coreia, e aceitou o desafio de atuar em um país com uma cultura totalmente diferente. Além disso, teve que deixar sua mulher grávida no Brasil. Caique conta as principais dificuldades que enfrentou na Ásia.
— Senti um pouco na parte da alimentação, porque aqui não tem o nosso arroz e feijão. Eles comem muito macarrão, frango e outro tipo de arroz, mais papado, colado (risos). Quando cheguei, achei que não ia aguentar, mas superei. Em relação aos treinamentos, o treino é muito forte. No Brasil, por exemplo, dois dias antes dos jogos tem recreativo, aqui não. O jogo é no domingo e a gente treina forte no sábado. O treinamento é mais puxado do que as partidas. Tem o frio também, que aqui é grande, jogamos muitas vezes abaixo de zero, aí dói tudo.
Apesar das adversidades fora de campo, dentro dele a história foi diferente. Caique foi um dos responsáveis por levar o Gyeongnam à fase final do campeonato nacional, a K-League, após seis anos de ausência, além de ajudar a equipe a conquistar o vice-campeonato da FA Cup, espécie de Copa do Brasil coreana. Além disso, os números refletem o que foi a sua temporada.
Somando as duas competições que disputou, o ex-jogador do Guarani marcou 14 gols, distribuiu nove assistências e jogou 45 de 46 partidas do Gyeongnam no ano. Caique conta o que o ajudou a ter a melhor temporada de sua carreira.
—Ganhei a confiança que todo jogador precisa. O treinador confia muito em mim e no meu futebol. A pré-temporada é bastante diferente do Brasil, dura quase dois meses, e isso contou bastante, não tive lesão, aguentei o ritmo dos jogos. Aqui jogo mais à frente, mais avançado, o que facilitou por conta das minhas características.
Morando com a mulher, a sogra e a filha Betina, o jogador está feliz e cada vez mais adaptado à vida na Coreia. Caique, que pertence ao Olé Brasil, está emprestado ao Gyeongnam até o fim do ano. O meia pretende continuar se estabilizar no país asiático antes de voltar ao Brasil.
—Tenho propostas de times grandes da Coreia, então pretendo ficar mais um ou dois anos e me estabilizar financeiramente, porque hoje tenho uma filha que depende de mim. Depois penso em voltar para o Brasil e dar uma vida boa para ela também no nosso país, mas enquanto eu estiver bem aqui, pretendo ficar.
Fonte: R7

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