Philipe Sampaio tem quase dois anos em Portugal. Ainda muito jovem (21 anos), o central boavisteiro tem sido um dos rostos de um clube que se vai recuperando aos poucos. Fã de Thiago Silva e admirador de Luisão, o jogador quer que a terceira época seja sinónimo de afirmação absoluta.
Depois de 26 jogos na primeira temporada, o ex-Santos reduziu para 15 na atual, se bem que com uma boa cotação individual: nos 12 jogos que fez para o campeonato, a equipa ganhou cinco e perdeu em apenas quatro, tendo estado em 18 dos 30 pontos das panteras.
Um emblema renascido
São dois anos quase completos num campeonato diferente, uma realidade diferente e um clube a reerguer-se. Qual o balanço até agora?
Estou muito orgulhoso por estes dois anos. Apesar de estar num processo de evolução, já fiz bastantes jogos e estou muito feliz com a manutenção do clube. Além disso, estou também bastante contente por já ter jogado tanto, sendo tão novo, num clube que me acolheu de braços abertos. É um grande orgulho vestir esta camisola
Se te perguntasse com que nota, de 0 a 10, valorizavas esta tua aventura até agora, qual seria?
Nesta segunda época não fiz tantos jogos como na primeira, mas parece-me que tenho feito desafios mais consistentes, até porque a equipa tem ganho várias vezes comigo em campo. Estou mais maduro. Avalio esta minha prestação com um 7, pois a minha progressão e a adaptação já estão concluídas e sinto-me totalmente capaz de enfrentar a exigência deste campeonato, para a subir.
Ou seja, a ideia é continuares no Bessa.
Tenho mais um ano de contrato, a minha vontade é dar continuidade ao trabalho que se tem feito. Depois, posso olhar para aqueles naturais sonhos que qualquer jogador tem, que é um dos campeonatos de topo europeu e a seleção. Só que, por agora, é o Boavista que está na minha cabeça.
Que clube é este que representas?
O Boavista é o quarto grande, vou-me apercebendo claramente que isso é assim. Aos poucos, com a nossa consolidação, vão vindo cada vez mais adeptos que estão a fortalecer o clube novamente.
Chegaste com Petit, agora é Sánchez o treinador. Há também Timofte, Alfredo, Fary, Jorge Couto. Até que ponto esses nomes históricos fazem a diferença?
Ter todos esses nomes no clube é muito importante, pois eles passam muita da experiência deles e a mística deste clube. As coisas ficam mais fáceis com pessoas que conhecem e que sabem do que falam. Para mim, poder vir tão novo do Brasil e jogar a este nível é excelente.
Vês alicerces serem construídos para um futuro mais condizente com a história do clube?
Esta temporada foi mais difícil conseguir a manutenção, mas, à medida que vamos mantendo a equipa na primeira Liga, os objetivos vão crescendo. Com tempo, vamos conseguir levar o clube ao seu lugar
Viver na mesma cidade de Casillas, mas com jogos de xadrez
Como está a ser a adaptação a uma realidade diferente e à cidade do Porto?
É mais frio... [risos] mas eu acho que tudo em Portugal, desde a comida, o idioma, as pessoas, tudo se aproxima do Brasil. Estou a adorar o Porto, é uma cidade fantástica.
Onde vive um nome enorme do futebol, como é Casillas.
Falando do Casillas... Quando fui jogar contra ele até fiquei sem jeito. Olhei bem para ele e só me lembrei de quando era pequeno e o via na televisão. Enfim... Tudo tem sido um sonho para mim. Só quero continuar a evoluir para outros voos
Que voos?
Penso em jogar em Inglaterra, num futebol assim. Ou mesmo num grande em Portugal, dos poucos acima do Boavista. E chegar à seleção brasileira, no culminar de uma carreira que eu desejo que seja de sucesso
Tens algum central com quem particularmente gostarias de jogar?
Há um jogador de quem sempre fui fã, que é o Thiago Silva. Mas, desde que vim para Portugal, passei também a admirar muito o Luisão, desde o primeiro jogo. No Brasil, nem sempre dava para acompanhar muito de perto, por isso aqui estou a ter muito maior perceção
Por fim, jogando no Boavista, tenho que perguntar se já sabe jogar xadrez...
Já [risos]... Aprendi aqui. Jogar damas sempre soube, já desde o Brasil. Sempre fui habituado a jogar isso. Mas xadrez só aqui, pois a vida europeia é mais caseira e tranquila, então tenho mais tempo e quis experimentar. Nas horas vagas, procurei jogar com a minha esposa.
E que tal? Quem se safa melhor?
Hum... Ela é melhor, percebe bem daquilo. É mais inteligente [risos]. Mas eu estou aprendendo!

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