O olhar de Nadir Mariana Cardoso, 52 anos, mãe do zagueiro Chicão, é de devoção. Uma fé que arrepia o pelo do mais contestador dos ateus. Acende uma vela sobre a geladeira, onde estão a foto do filho, uma imagem de São Jorge, uma de Nossa Senhora de Fátima e outra de Aparecida. Os lábios se movem sem emitir qualquer som, em um mantra que só os celestiais são capazes de escutar.
Na casa da família do defensor corintiano, a fé é o laço de união. Irmãos, tios, primos, amigos e até torcedores de outros times se uniram para embalar o Corinthians.
Dona Nadir não quis se sentar. Assistir ao jogo em pé é como uma vigília. Parecia ter mais do que um filho defendendo o Corinthians em campo.
“Toca rápido, Jorginho”, gritou, quando Jorge Henrique armava um contra-ataque. “Boa, Cassinho”, soltou, em uma das muitas defesas do arqueiro. O diminutivo ficou mesmo só para os adotivos, pois foi com um “isso, Chicão!” que a mãe comemorou uma bola espanada da defesa pelo filho biológico.
“Todos são como meus filhos mesmo, o carinho é igual”, resumiu Dona Nadir, que chorou ao final do jogo e ao ver o filho perfilado, antes do apito inicial.
O pai, Dirceu Machado Cardoso, 54, só foi às lágrimas mesmo com o título.“Desculpa não poder falar, mas é muita alegria”, dizia.
Nos ataques do Chelsea, Dirceu deixava uma enorme bandeira pendurada no local cair sobre seu campo de visão. Com o gol de Guerrero, um bolo de gente o agarrou, quase lhe arrancando a camisa.
Alguns minutos de tensão com a pressão dos Azuis e também com Eduarda, 2, uma das filhas de Chicão, que se aproximou inadvertidamente da piscina. Logo a tia Rita tratou de tranquilizar a todos, enquanto o zagueiro mais famoso da cidade de Estiva, para não dizer do mundo, fazia o mesmo na área defensiva do Timão.
Todos se abraçaram em um choro coletivo ao fim do jogo. Uma picape serviu de trio elétrico e Dona Nadir desfilou toda sua fé. Estiva era toda alegria.
Festa em família converte até alguns secadores
Familiares, amigos e torcedores dos atletas que conquistaram o título mundial no Japão deram um jeito de trazer a festa de Yokohama para o Brasil. Em Sorocaba, parentes do meia Giovanni se reuniram no salão de festas do prédio da mãe do atleta. A madrinha Janete Almenara, palmeirense, vibrou muito com a conquista do afilhado. Em Palestina, terra de Romarinho, vários foram convertidos pelo triunfo.
Em São Paulo, as famílias de Danilo e Fábio Santos também reuniram parentes e amigos para fazer a festa. Todos rasgaram elogios as respectivos representantes. “São guerreiros.”
Fonte: redebomdia

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