Matador italiano de R$ 364 milhões já chorou por Shevchenko e só perde a calma por PlayStation

Titular da seleção, um dos goleadores do Italiano e dono de uma multa rescisória de 100 milhões de euros (isto é, R$ 364 milhões), Andrea Belotti é descrito pelos que convivem com ele como um tipo "calado e caseiro". Mas o lateral esquerdo Danilo Avelar, seu companheiro no Torino, conhece outro lado do atacante de 23 anos.

 

"Quando ele joga Fifa... Na concentração, eu fico ao lado do quarto dele e escuto os gritos que vem de lá (risos). Ele joga com o [meia Marco] Benassi e é só gritaria. Acho que ele ganha mais do que perde (risos)", disse Avelar, ao ESPN.com.br.

"A gente brinca que o bom entrosamento deles vêm de jogar o Fifa. O Benassi deu muitas assistências para o Bellotti na temporada. Eu falo: 'Vocês treinam no PlayStation e durante o jogo fazem igual. Os movimentos saem certinhos'", divertiu-se o brasileiro, ao lembrar.

Avelar convive com Belotti desde agosto de 2015. Eles chegaram praticamente juntos ao Torino para a temporada 2015/16. Avelar veio do Cagliari, por 2,5 milhões de euros (R$ 9,1 milhões). Belotti veio do Palermo, por 7,5 milhões de euros (R$ 27,3 milhões).

"Ele é um moleque sossegado, tranquilão. Se você o ver na rua nem imagina que ele é um jogador profissional, que joga pela seleção italiana. Mas, dentro de campo, nos treinos, fazia tempo que não via um atacante lutar tanto quanto ele. É coisa de louco, absurdo".

Os rumos de Avelar e Belotti foram diferentes no Torino e mostram quanto o atacante evoluiu em duas temporadas com a camisa do time de Turim.

Hoje com 27 anos, Avelar tinha passagens pelo futebol ucraniano, onde defendeu o Karpaty, e alemão, no Schalke 04. No Cagliari, virou um bom lateral esquerdo, ganhou destaque, evoluiu e foi contratado pelo Torino para ser titular na posição.

Contusões acabaram evitando que Avelar conseguisse destaque.

Já Belotti era uma aposta. Vinha de três temporadas no Palermo, sendo a primeira delas na Série B. Era um tipo trombador na área, mas que marcava poucos gols. Além disso, chegou ao Torino para compor o elenco de um time que tinha atacantes do quilate de Fabio Quagliarella (jogou a Copa do Mundo de 2010), Amauri e Máxi López.

Foram seis meses sem nada de especial, com um gol em 11 partidas. Mas a saída de Quagliarella e a vinda de Ciro Immobile em janeiro de 2016 fizeram bem para ele. Ele fez 11 tentos em 22 jogos. Saltou de patamar, virou goleador e teve a multa rescisória aumentada para 100 milhões de euros e o contrato ampliado até 2021.

A valorização foi justificada por Belotti. Na atual temporada, ele marcou 28 vezes em 38 partidas. É o vice artilheiro da Série A italiana com 26 gols. Também virou titular da seleção italiana, cujo treinador é Giampiero Ventura (o mesmo que o levou para o Torino).

"Ele cresceu de uma forma incrível nesta temporada. Fez muitos gols, algo que para a realidade do Torino não é fácil. Fazer isso na Juventus ou no Napoli eu entendo. Nesses clubes o cara tem umas 15 chances por partida. Aqui no Torino não é bem assim. É de se tirar o chapéu por tudo que ele fez. Ele é muito aplicado, não falta nada, não reclama de nada", descreveu Avelar sobre o companheiro de Torino.

Segundo o lateral brasileiro, o sucesso recente não mudou o comportamento de Belotti.

"Ele é bem quieto. Como vai casar, fica o dia inteiro na própria casa, com a noiva. Na concentração é PlayStation o tempo todo. É muito sossegado. Não é de brincar e falar muito. Faz o dele e pronto. Não mudou nada daquele garoto que chegou ainda desconhecido. Manteve os pés no chão e vai chegar muito longe", completou Avelar.

Lágrimas por Shevchenko
Belotti tem um ídolo no futebol. É Andriy Shevchenko, artilheiro do Milan nos final dos anos 1990. Avelar revelou que o italiano gosta de assistir aos lances do ucraniano e depois tenta reproduzir nos treinamentos.

"Ele sempre fala do Shevchenko. Adorava o estilo que ele tinha de jogar. Uma vez a namorada dele conseguiu um vídeo em que o Shevchenko mandava parabéns ao Belotti. O moleque chorava. É o ídolo dele, declarado. Ele fala dele para a gente, nas entrevistas. O estilo de jogo deles é meio parecido. O Scheva não era habilidoso, mas fazia gols impressionantes e tinha uma raça impressionante", disse Avelar.

"Teve um jogo que vi o Belotti trombando, dividindo e correndo os 90 minutos. Isso não é normal para um atacante. Ninguém acreditava. Todo mundo estava espantando. Fiquei impressionado com o tanto que ele se doa nos jogos", acrescentou o brasileiro.

Belotti nunca se encontrou com o ídolo de infância, mas conseguiu alcançar uma marca do ucraniano. Após 17 anos, ele foi o primeiro jogador com menos de 24 anos a fazer mais de 24 gols no Campeonato Italiano. A marca anterior de Shevchenko, em 1999/00.

Ídolo de saída?
Ídolo dos torcedores do Torino, ninguém sabe ainda se Belotti sairá da equipe. Há sondagens de gigantes, como Manchester United, Chelsea, Real Madrid, Atlético de Madri e PSG, para citar alguns clubes. O presidente do Torino, Urbano Cairo, tem se mostrado irredutível. "Só sai se alguém pagar a multa rescisória. Eu não creio".

Mesmo se sair agora, Belotti deixará suas marcas no Torino. E não foram poucas.

A mais lembrada será a comemoração dos gols, sempre imitando com uma das mãos a crista de um galo - seu apelido entre os amigos na Itália.

Ele também soma 40 gols oficiais pelo Torino, o que o coloca entre os maiores artilheiros da história do clube granata. Ele é o 23º nessa lista.

Por fim, ele conseguiu cativar o filho do zagueiro Leonardo Bonucci, da rival Juventus. A ponto de o menino de quatro anos ter feito o pai levá-lo ao estádio do Torino para assistir a partida contra a Sampdoria, no final de abril. Lorenzo ainda ficou triste por ter de vestir a camisa da equipe do pai na celebração do título do Italiano, mas abriu um grande sorriso na última semana ao jantar com o pai ao lado de Belotti, em Turim.

Fonte: ESPN