EXCLUSIVO: BRASILEIRO RESCINDE CONTRATO APÓS SEIS ANOS NA RÚSSIA

O atacante Diego Carlos de Oliveira, de 28 anos, acertou nesta semana a rescisão com o FK Ufa, da Rússia, time que defendia desde 2012. Apesar de ainda ter um ano e meio de contrato pela frente, clube e jogador optaram pela saída imediata, já que o brasileiro vinha recebendo poucas oportunidades após a chegada do técnico Sergei Semak.

Formado nas categorias de base do Flamengo, Diego superou todas as barreiras impostas para quem sai do Brasil rumo ao leste europeu. O ponta desembarcou na Rússia em 2010 para atuar no Nizny Novgorod e passou também pelo FK Luch-Energia Vladivostok antes de ser contratado pelo Ufa, onde permaneceu por pouco mais de quatro temporadas.

Em entrevista exclusiva ao Esquema de Jogo, Diego contou suas  experiências vividas na Europa nos últimos anos e o processo de crescimento do Ufa, fundado em 2010 e que em três anos chegou à divisão principal. O brasileiro explicou também os motivos para ter jogado apenas quatro jogos na atual temporada.

“O treinador anterior jogava com dois pontas abertos e o atual joga no 3-5-2. Para mim ficou complicado, porque eu sou ponta e o time joga com dois centroavantes centralizados. Como é opção do treinador você tem que respeitar. O time também vem tendo bons resultados, então é difícil questionar. O Ufa está em oitavo no campeonato russo e nas quartas-de-final da Copa da Rússia, que dá vaga direta para a Liga Europa. Então, fico feliz de ter participado no que eu pude”.

Engana-se quem pense que tudo foi fácil para Diego ao longo dos últimos seis anos. As dificuldades de adaptação, principalmente pelo clima e alimentação, por muitas vezes quase fizeram o brasileiro encerrar sua passagem por lá. O atacante contou o que o fez suportar as adversidades vividas na Europa.

“Tem que querer, porque é complicado, ainda mais no inverno. Eu já vi várias situações de brasileiros que bateram aqui e voltaram, não conseguiram jogar, não se adaptaram. Tem a alimentação também, que não é lá essas coisas, e vários outros fatores. Para mim foi mais o esforço e a necessidade, saber que era uma oportunidade que tinha que abraçar. É o seu trabalho, o seu futuro que está em jogo, então você tem que agarrar a oportunidade e suportar “.

Outra dificuldade significativa enfrentada pelo atacante foi o esquema tático utilizado na Rússia. Acostumado ao 4-4-2 na base do Flamengo, Diego teve de se adaptar ao esquema com três zagueiros e a fazer a marcação dos laterais até a linha de fundo. Segundo ele, é preciso muita inteligência para se sobressair na correria do futebol russo.

Em meio às lembranças de sua trajetória, Diego contou uma situação curiosa pela qual teve de passar assim que chegou na Rússia. Mineiro de Campos Altos e acostumado com o bom e velho pão com manteiga, ele se viu diante de uma triste realidade.

“No segundo dia que eu estava na Rússia eu fui em um restaurante para tomar café. Cheguei lá de manhã todo empolgado atrás de um pão com manteiga. Quando eu vi, o cardápio era ovo cru, salada de tomate com pepino e chá. Aí eu ficava olhando e pensando se não ia chegar um pãozinho quentinho, um café, mas não veio mais nada. Eu pensei: “Misericórdia, o que eu estou fazendo aqui, quero ir embora” (risos). E ainda tinha que comer aquilo para poder treinar de manhã”.

Nos próximos dias, Diego se reunirá com seu empresário para começar a discutir o novo destino. Permanecer na Europa passa pela cabeça do atacante, que se mostrou agradecido e satisfeito com as experiências que a carreira lhe proporcionou.

“Me adaptei à Rússia. Como eu conheço um pouco a língua, se me convidarem futuramente para exercer alguma função no clube, estou à disposição. Tenho um carinho pelo que o Ufa fez por mim. Aqui eu construí minha vida, minha esposa é feliz aqui, não tenho nada do que reclamar do clube. Tenho o sonho de atuar em outros países e conhecer outras culturas, faz parte da vida do jogador. O futuro a Deus pertence, vamos ver o próximo destino”.