Ele trocou São Paulo pelo Santos por causa de Neymar. Hoje, joga na Europa e sonha com a Champions

sampaio 240717Contratado no último mês pelo Akhmat Grozny, da Rússia, o zagueiro Philipe Sampaio chegou à Europa ainda muito jovem e desconhecido.  

 Após começar no futebol em um projeto social, ele foi jogar pelo Grêmio Barueri antes de acertar sua ida para as categorias de base do São Paulo. Nos três anos em que permaneceu em Cotia, o garoto atuou ao lado de jogadores como Lucas Piazon, Rodrigo Caio e Ademílson.

 

“Teve uma competição na Bahia fomos campeões em cima do Santos na final. Um diretor entrou em contato e me chamou. O Neymar estava no auge e eu tinha vontade de jogar por lá. O Santos revela muitos jogadores e resolvi mudar”, disse o jogador, ao ESPN.com.br.

Philipe era companheiro de uma geração vencedora que tinha Gabigol, Victor Andrade, Neilton e Zeca. Ao lado dos futuros profissionais, ele venceu no sub-20 a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista.

Neste período, o zagueiro chegou a treinar algumas vezes com a equipe profissional. Como contou ao jornal “O Jogo”, o brasileiro evitava dar entradas mais duras em Neymar.

"Ele não era do nosso mundo. Nos treinos, nós nem podíamos encostar nele, e às vezes deixávamos ele passar. Se lesionasse o Neymar, rescindiam o meu contrato", afirmou, em tom de brincadeira, ao periódico português.

A trajetória do defensor no Santos foi atrapalhada por uma lesão às vésperas da disputa da Copa São Paulo de futebol júnior de 2014.

“Eu tive azar. Estava como titular e poucos dias antes da competição eu quebrei o braço. Os meninos foram campeões e subiram ao profissional. O Santos renovou meu contrato, mas fui emprestado para o Paulista de Jundiaí”.

Sucesso em Portugal

Philipe fez apenas três partidas pela equipe do interior no Campeonato Paulista antes de se transferir para o Boavista-POR.

“Tinham observadores de Portugal vendo minhas partidas e me convidaram. Deu tudo certo. Em apenas duas semanas já estreei contra o Benfica e fizemos um grande jogo. O estádio estava lotado e enfrentamos Jonas, Júlio César, só craques. Foi uma mudança grande demais”.

Mesmo assim, o jovem não teve grandes problemas na chegada ao “Velho Continente”. “Portugal é um país muito tranquilo para brasileiros morarem, o idioma é o mesmo. A comida é bem parecida e a adaptação foi super tranquila porque cheguei jogando”.

Em três anos de Portugal, Philipe Sampaio foi titular e enfrentou atacantes perigosos como Jonas, Nani, Jackson Martínez e Quaresma.

“Nessa temporada fizemos grandes jogos. Melhorei em tudo. A Europa prioriza muito o extracampo, dentro de campo eu melhor posicionamento. Já fui elogiado e fico feliz demais”.

Com o nome especulado em clubes como Braga-POR e Málaga-ESP, o brasileiro optou por mudar de ares no mês passado. Chegou sem custos ao Akhmat Grozny-RUS, da Chechênia, pelo período de uma temporada.

A equipe, que antes se chamava Terek, mudou de nome para homenagear Akhmad Kadyrov, presidente checheno morto em um atentado em 2004. O clube é comandado por seu filho, Ramzan Kadyrov.

“A Rússia é uma liga muito competitiva e minhas características casam bem aqui: Força, velocidade e jogo aéreo. O clube tem toda estrutura, inclusive financeira, para eu continuar na minha evolução”.

Apesar das peculiaridades da região, que já teve diversas rebeliões por conta dos separatistas, Philipe está concentrado apenas em sua carreira.

“Eu saí da zona de conforto, quero aprender outro idioma e me adaptar o mais rápido possível. Fui muito bem recebido pelos meus colegas e o treinador me trata super bem. É uma cultura diferente, são muçulmanos e tem as leis deles. Está tudo tranquilo e estou muito feliz”.

Ronaldinho e projeto social
Logo em sua estreia pela equipe na primeira rodada do Campeonato Russo, ele teve um incentivo especial: a presença de Ronaldinho Gaúcho no estádio. O astro foi conhecer o clube a pedido do presidente e deu até o pontapé inicial na vitória do Akhmat Grozny sobre o Amkar por 1 a 0.

“Foi uma coisa de louco e parou a cidade. Teve um show imenso por ele estar aqui. O estádio ficou lotado e ficou um monte de gente para fora. Ele entrou no vestiário e deu um abraço em cada um dos jogadores. Eu por ser brasileiro fiquei maluco. É um ídolo e ícone mundial. Ele falou para gente: ‘Joguem com ousadia e alegria’. Foi muito top (risos)”.

Além disso, ele acredita que fez uma escolha que pode mudar os rumos de sua carreira.

“O clube briga sempre por torneios europeus. Além disso, teremos a Copa do Mundo aqui no ano que vem. Meu sonho é disputar a Champions League e a Liga Europa. Preciso continuar trabalhando, quem sabe pinte uma chance na seleção. Sou muito jovem ainda e tenho potencial”.

Mesmo com, o zagueiro não esquece suas origens. Ele ajuda a sustentar um projeto social com 30 crianças que praticam futebol na comunidade da Cohab Raposo Tavares, no Butantã, em São Paulo.

“Minha mãe ainda mora aqui e venho lá e vou sempre nas férias. Tem uma aula de futebol durante a semana e outra aos finais de semana. Depois tem um lanche para a molecada e os ajuda a não irem para a rua”.