À beira do precipício no Inglês, Leicester aposta no jogo de time pequeno para manter vivo conto de fadas na Champions

À beira do precipício no Inglês, Leicester aposta no jogo de time pequeno para manter vivo conto de fadas na Champions

A modesta equipe garantiu seu primeiro título do Campeonato Inglês em 2016 sendo apenas o antepenúltimo time entre os mais passadores e apenas o sétimo que mais chutou na competição.

Nesta temporada, porém, quase tudo mudou drasticamente quando o clube tentou se estabelecer em um novo patamar.

Logo após a taça, os Foxes investiram 91,1 milhões de euros em novos atletas, garantiram a permanência de quase todos os titulares - apenas N'Golo Kanté saiu -, mas não conseguiram manter o nível. E nem perto disso.

Na 17ª colocação da Premier League, o Leicester tem 21 pontos, um a mais do que o Hull City, primeiro time na zona de rebaixamento, e dois a mais do que o lanterna Sunderland. Além disso, a equipe comandada por Claudio Ranieri vem de cinco derrotas seguidas na competição.

O conto de fadas virou um pesadelo. Ou melhor, quase, já que a Uefa Champions League faz o torcedor ainda se lembrar da temporada passada. Ainda que tenha sido goleado por 5 a 0 para o Porto na última rodada da fase de grupos, o clube inglês já havia garantido a classificação e a liderança com quatro vitórias e um empate na chave que contava também com Brugge e Copenhagen.

E o curioso é que no torneio europeu o Leicester obteve sucesso com o futebol ‘de time pequeno' que o caracterizou na última edição do Inglês. Afinal, os Foxes possuem nada menos que o pior desempenho nos passes e nas finalizações entre todos os classificados ao mata-mata (veja mais detalhes abaixo).

Agora, o atual campeão inglês terá pela frente um adversário que vive um momento oposto: o Sevilla. Além de ser um autêntico copeiro - ganhou cinco das últimas 11 edições da Liga Europa e é o atual tricampeão -, o time andaluz ocupa a terceira posição do Espanhol.

"Vamos tentar trabalhar para dominarmos o confronto. Eles são mais táticos e jogam com muita marcação forte. Nossa equipe é mais leve e gosta de ter a bola", afirmou o lateral-direito Mariano, do Sevilla, em entrevista ao ESPN.com.br. "Vai ser bonito de se ver".

O brasileiro acredita que mesmo com a fase ruim do adversário o clube espanhol não terá vida fácil.

"Não é um time em teoria tão difícil, mas será um duelo complicado porque é Champions. Eles classificaram em primeiro. É um time que não está bem, mas Champions é um torneio diferente. Todos os clubes jogam com o coração."

"O Leicester é um exemplo na Inglaterra. Brigaram um ano para não cair e ganharam a liga da Inglaterra com cinco times grandes disputando. Futebol tem disso e tem seus favoritos, mas tudo pode acontecer", disse Mariano.

Se tudo pode acontecer, o Leicester quer ao menos estender seu conto de fadas ao cenário continental.

As estatísticas do Leicester
- Pior posse de bola entre os times do mata-mata, com 43%. Levando em conta todos os 32 participantes da fase de grupos, apenas cinco tiveram um número menor: Legia Varsóvia, Borussia Mönchengladbach, Dínamo de Zagreb e Rostov.

- Segundo pior aproveitamento de passes de toda a Champions, com 76%, ao lado do CSKA. Só o Rostov (72%) foi pior

- Terceiro time que menos completou passes em toda a Champions (1664), ficando à frente apenas de Dínamo de Zagreb (1570) e Rostov (1312)

- Pior média de finalizações por jogo entre os times que foram às oitavas de final (9,17)

- Pior média de finalizações no alvo por jogo entre os times que foram às oitavas (3,66)

O que mudou?
Sete derrotas, dois empates e duas vitórias. Esse é o retrospecto do Leicester na Premier League desde a parada da Champions, sendo que o time vem de cinco reveses consecutivos na competição nacional. Muito perto da zona de rebaixamento e também da lanterna, o atual campeão inglês contou com a chegada do volante Onyinye Ndidi, ex-Genk, por 17,6 milhões de euros, enquanto o lateral/meia Jeffrey Schlupp acabou vendido ao Crystal Palace por 13,6 milhões. Na zaga, uma mudança entre reservas: Luis Hernández saiu, e Molla Wague chegou.
Opinião FC - por Renan Lousada, do Les-Tah
Apesar da "sorte" que demos no sorteio - levando em conta os outros times -, o Sevilla vem de boa fase, com chances reais de título no Espanhol. Já o Leicester vem de má fase, desmotivado e perdido em campo. O ritmo não é o mesmo da temporada passada e Ranieri parece não ter mais o grupo na mão como na temporada passada.

Elenco
Goleiros
1.    Kasper Schmeichel
12.    Ben Hamer
21.    Ron-Robert Zieler
 
Defensores
3.    Ben Chilwell
5.    Wes Morgan
6.    Robert Huth
17.    Danny Simpson
18, Molla Wague
28.    Christian Fuchs
29. Yohan Benalouane
 
Meio-campo
4.    Danny Drinkwater
10.    Andy King
11.    Marc Albrighton
13.    Daniel Amartey
22.    Demarai Gray
24.    Nampalys Mendy
25. Wilfred Ndidi
26.    Riyad Mahrez
39. Harvey Barnes
 
Atacantes
7.    Ahmed Musa
9.    Jamie Vardy
19.    Islam Slimani
20.    Shinji Okazaki
23.    Leonardo Ulloa

Sevilla


O que mudou?
A situação do Sevilla vai na contramão da vivenciada por seu rival. Afinal, desde a paralisação da Champions, o time venceu sete das nove partidas que fez no Espanhol, empatou uma e perdeu outra, se mantendo firme na briga até pela liderança - está três pontos atrás do primeiro colocado Real Madrid, que tem dois jogos a mais. O elenco ainda contou com algumas alterações: foram vendidos o zagueiro Timothée Kolodziejczak e o meia Hiroshi Kiyotake, enquanto foram contratados o atacante Stevan Jovetic e o zagueiro Clément Lenglet.
Opinião FC - por Anderson Queiroz, do Sevilla Somos Nosotros
O Leicester é um adversário traiçoeiro. Não se enganem: a má fase do time na Premier só aumenta a dificuldade do confronto. Fazer uma boa campanha na Champions League é a última esperança dos Foxes na temporada. Por isso, o Sevilla não pode se iludir. Mesmo assim, a classificação do Sevilla é possível. É difícil falar em favoritismo, mas a fase do Sevilla é muito boa. Sampaoli acertou bem a equipe, ao longo do mês de janeiro. Além disso, Jovetic está cumprindo seu papel, marcando gols e resolvendo uma carência do elenco. A experiência na Europa League também deve ajudar bastante, mesmo com outro treinador.
Elenco
Goleiros
1.    Sergio Rico
13. David Soria
35.    Juan Soriano
40. Álvaro Rodriguez
41. Miguel Cabrera
 
Defensores
2 B. Trémoulinas
3    Mariano Brasil
5    Kolodziejczak
6    Daniel Carriço
18    Sergio Escudero
21    Nicolás Pareja
23    Adil Rami
24    Gabriel Mercado
26    David Carmona
34    José Matos
45. Clément Lenglet
 
Meio-campo
4.    Matías Kranevitter
8.    Vicente Iborra
10.    Samir Nasri
11.    Joaquín Correa
15.    Steven N'Zonzi
17.    Pablo Sarabia
19.    Ganso Brasil
20.    Vitolo
22.    Franco Vázquez
27.    Antonio Cotán
28.    Borja Lasso
29.    Francisco Sánchez
 
Atacantes
9. Luciano Vietto
12. Ben Yeder
16. Stevan Jovetic
30. Carlos Fernández